Caminho de Luz
Trechos do meu livro "Caminho de Luz"
terça-feira, 14 de fevereiro de 2012
sábado, 15 de janeiro de 2011
NOSSA MENTE
No processo de auto conhecimento, fui descobrindo a grande capacidade mental que estava adormecida dentro de mim.
No começo foi como se estivesse desvendando algum mistério, mas ao poucos fui me acostumando porque resolvi estudar a respeito de toda a energia que eu estava sentindo aflorar.
Tudo o que lia e achava que só acontecia com outras pessoas, estava acontecendo comigo.
A energia que sentia não era só minha. Aos poucos, aprendendo mais sobre mediunidade, espiritualidade e as inúmeras terapias alternativas que estudam incansavelmente as energias existentes, comecei a aprender mais sobre o mundo astral.
É como se visse tudo com a mente. Sei que esta lá. Sinto com os meus sentidos.
Um aroma, uma voz, uma presença.
A presença espiritual existe com certeza, e demorou muito até que eu entendesse e vivenciasse isso.
Estas presenças se manifestam continuamente em nossos pensamentos.
E constantemente temos a certeza de que são realmente nossos pensamentos.
Seria impossível enumerar aqui todos estes processos de invasão em nossa mente por parte destes irmãos que como nós, estão na escala evolutiva a caminho do entendimento perfeito do equilíbrio da vida.
Quando cansamos de procurar o que temos certeza que nos fará seres completos, realizados e felizes e continuamos a sentir aquele imenso vazio dentro de nós, aumentando cada vez mais, sem perspectiva nenhuma de encontrar o que queremos, então começamos a olhar dentro de nós mesmos e para nossa surpresa nos deparamos com alguém estranho morando lá.
Não nos reconhecemos verdadeiros e sim como falsas personalidades que se impõem e querem continuar vivendo aquele mundo falso que construímos a partir dos inúmeros condicionamentos pelos quais são impostos a nós durante toda a vida.
E são a estas falsas personalidades que são endereçadas as inúmeras obsessões dos nossos irmãos do mundo astral.
Eles conseguem penetrar no nosso mental de tal forma que o nosso mais secreto segredo, desejo ou pensamento torna-se para eles uma imensa fonte de manipulação sobre nós.
Tudo é usado da forma mais sutil para que pensemos que tudo faz parte de nossa vontade.
Alguém que sempre teve um comportamento calmo e ponderado, torna-se, gradativamente, uma pessoa nervosa, impaciente e muitas vezes insuportável sem que ninguém compreenda o porque de tal transformação.
Tudo tem que parecer natural na pessoa, para que ela não perceba a influência.
Se a pessoa desconhece os assuntos espirituais, não é necessário tanta sutiliza, mas se é alguém que sabe que todos nós estamos sujeitos a esta influência, tudo é feito de uma forma mais demorada, mais estudada, para que ela realmente esqueça tudo o que aprendeu e baixe a guarda dando oportunidade ao início da influência.
Existe com certeza a influência positiva, de espíritos amigos que querem nos ajudar na nossa caminhada evolutiva.
E esta influência se faz presente na nossa consciência, tantas vezes quantas se fizer necessária.
Mas raras vezes a ouvimos.
Quanto mais for a nossa sintonia com as coisas materiais, menos vamos ouvi-la.
Isto acontece porque ela, a nossa consciência, o nosso eu verdadeiro, fala sobre coisas as quais não estão presentes aqui, entre as coisas criadas pelo homem.
Ela fala sobre as coisas criadas por Deus, sobre a nossa verdadeira essência, sobre a sinceridade, a fraternidade, a renúncia, a humildade perante o imenso universo criado pelo nosso Pai Maior, sobre o amor.
O amor a Deus e ao nosso semelhante.
Este amor, os espíritos de luz estão sempre nos incentivando a encontrarmos dentro de nós mesmos.
Eles também nos aconselham, mas com a diferença que esta voz chega até nós como um direcionamento, uma escolha, respeitando sempre o nosso livre arbítrio.
Já os espíritos, que desencarnaram sem sequer terem tentado conhecer este lado da vida que nos fala o coração, pelos mais variados motivos, ficam nos incentivando a fazer ou dizer coisas as quais, embora lhes de imenso prazer no momento em que eles conseguem uma vitória, mais tarde é motivo de grande arrependimento tanto de nossa parte como da deles também.
Isto tudo acontece somente pela nossa imensa ignorância sobre nós mesmos e pelo mundo espiritual, sempre presente, quer acreditemos ou não.
A falta do auto conhecimento nos faz acreditar em tudo o que nossa mente falar. E é isso exatamente o que eles querem.
Que acreditemos nos nossos pensamentos. Porque é onde eles penetram para nos comandarem a seu bel prazer.
Onde eles estão não importa nem tempo nem espaço, porque isso não existe. Eles têm todo o tempo livre para nos assediar e se aproveitam disso porque sabem que se insistirem, não importa quanto tempo levar, nem quais os argumentos que usarão, em um determinado momento, quando baixarmos a guarda, eles vencerão.
Será que quando Jesus dizia: "orai e vigiai", ele não estava se referindo a isso?
Quantas vezes passamos toda uma vida lamentando algo que fizemos e que teve conseqüências desastrosas simplesmente por deixar que o nosso orgulho e vaidade nos fizesse tomar atitudes impensadas.
Nossos pensamentos emitem sons e Deus nos fala pelo silêncio.
Somente quando conseguimos silenciar nossa mente é que conseguimos ouvi-lo.
E isto infelizmente não se ensina, mas se aprende tentando, treinando, meditando, orando e vigiando.
Costumamos dizer que para conhecer alguém, precisamos passar algum tempo com ela.
Para nos conhecermos é preciso também passar algum tempo com nós mesmos.
Sem medo do que vamos encontrar, mas sendo honestos o bastante para nos olharmos de frente e nos aceitarmos como somos e reconhecermos as nossas falhas, sempre tentando nos aperfeiçoar de acordo com as leis que regem o universo.
Não temos que reconhecer as falhas em nosso caráter perante ninguém. Somente perante nós e Deus.
Isto é uma conduta que temos que ter diariamente. Todas as horas, todos os dias, todos os meses, todos os anos, toda a vida.
Isto tem que fazer parte de nossa respiração. Vivenciar isto é conhecermo-nos um pouco todos os dias.
E quando nos conhecemos, quando sabemos quem somos, encaramos as nossas falhas sem nos enganar nem tentar enganar a Deus. Aprendemos que se temos falhas, elas podem e devem ser reparadas e nesta reforma íntima, deixamos de sintonizar com influências e energias negativas que nos incentivam a fazer o que muitas vezes não queremos, mas fazemos porque lá no fundo de nós existe uma queda para aquela influência.
A reforma íntima é feita no que se passa no nosso ser mais íntimo. E para ter acesso ao que esta tão bem guardado só nos revelando por inteiro, sem medo, sem vergonha, sem culpa.
Hoje compreendo que existem dois caminhos a seguir:
Pelo amor ou pela dor. Eu escolhi o da dor.
Mas não é necessário que seja assim.
A dor é causada quando insistimos em alimentar o nosso orgulho.
Só somos atingidos por tudo de negativo neste mundo, porque queremos manter nosso orgulho intacto.
É ele que alimenta a nossa vaidade, ira, intolerância.
Só quando algo o atinge, (uma ofensa, uma rejeição ou um NÃO da vida) é que nos desequilibramos, adoecemos ou sofremos. E isto só acontece quando exigimos dos outros aquilo que falta em nós. Exigimos obediência, tolerância, humildade. Isto nos desarmoniza com nós mesmos e com os outros que são obrigados a viver conosco e com a nossa prepotência.
E não recebendo isto de quem queremos, e na hora que queremos, fere nosso orgulho. E isto dói. E é esta dor que nos traz as inúmeras doenças em nosso corpo, mente e alma.
E só somos atingidos pelos moradores deste universo paralelo ao nosso, quando estamos em desequilíbrio e em desarmonia com os outros e com nós mesmos.
Quando deixarmos de sintonizar com estes irmãos, nos tornaremos seres melhores, mais sadios de corpo, mente e espírito, e deixaremos de sermos conduzidos por eles e começaremos a tomar direcionamento em nossa vida e realizaremos aquilo que nos propomos quando encarnamos neste planeta.
Só então estaremos em perfeita harmonia com Nós mesmos, com o Universo e com Deus.
Tenho certeza de que ajudando-nos estaremos ajudando também todos os que nos cercam, sejam encarnados ou desencarnados, e assim tornaremos nossas vidas mais fáceis, felizes e em paz.
Não só a nossa vida atual, mas nas nossas próximas existências também.
segunda-feira, 27 de setembro de 2010
ENXERGAR O QUE ESTA A FRENTE
Quantas vezes já ouvimos alguém dizer que: "Acredito desacreditando" ou que "Sou igual a São
Tomé, preciso ver para crer".
Porque acreditamos apenas naquilo que os olhos do corpo físico enxerga sendo que mesmos eles, muitas vezes nos enganam?
Quantas vezes os nossos olhos nos enganaram?
Olhamos alguém e nos deixamos iludir por sua boa aparência, sua beleza, seu carisma e tempos depois, após meses ou anos de convivência, descobrimos muitas vezes falhas no seu caráter, às vezes muito grave, que não havíamos nos dado conta durante todo o tempo de convivência. Tudo porque nos deixamos nos enganar por aquilo que os nossos olhos captaram num primeiro momento.
Inúmeras vezes nos enganamos ao olharmos algo ou alguma situação e julgamos, acusamos e provocamos situações embaraçosas, quando não chegamos até mesmo a prejudicar pessoas inocentes, tudo porque acreditamos naquilo que apenas os olhos vêem.
Raramente as pessoas se dão ao trabalho de analisar o que se apresenta a sua frente, sem preconceitos, sem conceitos morais adquiridos por uma educação falha, por uma sociedade mais falha ainda.
Porque, ainda hoje, com tantas inúmeras provas, testemunhas, estudos, tantas pessoas se recusam a acreditar na existência do invisível?
Como então é aceitável, por estas mesmas pessoas, a existência do amor, do ódio, da tristeza, e de inúmeros outros sentimentos que ninguém pode ver?
E a dor? Todos já sentiram alguma vez a dor em algum momento de suas vidas. Não só a dor física, mas também a dor do coração.
Podemos encontrar a explicação científica para a dor, mas ainda assim continuamos sem poder enxergá-la com os nossos olhos.
Porque então não acreditar que nós não deixamos de existir quando é constatada a morte do corpo?
Como é possível acreditar que no Universo, onde se encontram bilhões, trilhões, não sei quanto, de pontinhos luminosos que denominamos estrelas, planetas, existam vida como na Terra, é possível também acreditar que podemos continuar existindo em algum outro lugar depois que o nosso corpo morre aqui, na Terra.
Muitas religiões pregam a vida após a morte e isto se torna um imenso consolo para aqueles que aqui continuam, porque esta certeza dá-lhes a esperança do reencontro com os seus entes queridos que já se foram.
Mas sem entrar no mérito da religião nem do que elas proporcionam aos seus adeptos como consolo, o fato de a vida continuar é lógico.
E a lógica, para os céticos, é um caminho razoável para entender coisas como a vida após a morte, reencarnação, carma, causa e efeito, influência dos espíritos que já viveram entre nós, em nossa vida diária, enfim, de inúmeras coisas que fazem parte de nossa vida cotidiana e nós não aceitamos, ou se aceitamos e declaramos até que acreditamos, não damos a devida importância a isto como se "isto" não nos influenciasse de modo algum.
O difícil não é encontrar literatura que fale a respeito, nem provas disto, mas abrir a mente e deixar entrar outras possibilidades além daquelas que estão tão
enraizadas, que não deixam espaço para mais nenhuma outra.
Li em um livro que "O conhecimento vem de fora, mas a sabedoria vem de dentro".
Existem muitas maneiras de adquirir conhecimentos.
E sabedoria, quantas maneiras existem para despertá-la dentro de nós?
sábado, 4 de setembro de 2010
DEPRESSÃO
Infinita dor que nos sufoca e nos aniquila, um mundo totalmente sem cores, sem luz, sem vida. Um deserto dentro do peito que nos sufoca e invariavelmente leva-nos a um desespero desconhecido daqueles que procuram entende-lo didaticamente. Desconhecido na maioria das vezes até por aqueles que dela sofrem.
Como explicar a angústia que causa tamanha dor, que chega a ser sentida fisicamente?
Como explicar a angústia que causa tamanha dor, que chega a ser sentida fisicamente?
E como querer que alguém entenda tal coisa?
Como alguém que não a sente pode entendê-la?
É penoso quando gritamos sem emitir som algum para que alguém nos ajude.
E mais penoso ainda é alguém querer ajudar sem saber como.
Já havia ouvido falar de depressão antes de descobrir que sofria também deste mal. Mas como a maioria das pessoas, acreditava que era normal sofrer em algum momento de nossas vidas.
Eu só não sabia que sofria o tempo todo. E sabia menos ainda que a maioria das pessoas sente a mesma coisa achando também que é normal.
Alguns me disseram que depressão não tem cura.
Outros que podemos viver muito bem, sabendo controlá-la através de remédios, terapia, etc. Mas encontrei raros que, como eu hoje sei, me disseram que sim, há cura. E esta cura, encontrei a partir do momento em que acreditei na minoria. Nem sempre o que procuramos iremos encontrar onde todos procuram.
Existem caminhos alternativos, mas o medo nos impede de trilhá-los.
Mas mesmo acreditando nestes caminhos, é muito difícil vencer o medo. Às vezes, sentimo-nos quase que impossibilitados pelo medo. Ele nos paralisa.
Neste momento precisamos de algo mais. Algo ou alguém de fora que nos impulsione de encontro à cura.
E quando não encontramos ninguém é necessário que encontremos algo.
Eu acreditei. Tive medo. Muito medo. Mas encontrei. Alguém sim. Mas quem encontrei, ofereceu-me amor, mas não soluções. Então precisei encontrar algo que retirasse tão grande mal de dentro de mim.
E encontrei.
Eu acreditei que me curaria. E me curei.
quinta-feira, 2 de setembro de 2010
CAMINHO DE LUZ
Dedico este livro ao Felipe, Augusto e Luci que de formas diferentes, me apoiaram e me ajudaram a escreve-lo.
Dedico também aos protetores e amigos espirituais que todos temos e que estão sempre a nos apoiar em tudo o que fazemos com amor.
E quero também dedicar a todos que sofrem e não querem mais sofrer e a todos os que sofrem e não sabem.
"Advirto, seja quem fores!
Ó tu, que desejas sondar os arcanos da natureza;
senão achares dentro de ti aquilo que procuras,
também não poderás encontrar fora.
Se tu ignoras as excelências de tua própria casa,
como pretende encontrar outras excelências?
Em ti está oculto o tesouro dos tesouros."
(Inscrição do Templo de Delfos - Grécia)
INTRODUÇÃO
Todo ser retorna a Deus, sempre.
Quando somos pegos de surpresa na vida encarnada, ou seja, no corpo físico, e somos chamados para a nossa verdadeira pátria espiritual, é porque o nosso tempo na Terra já encerrou.
Temos que voltar para começar uma nova etapa e darmos continuação a nossa tarefa perante o Nosso Pai Maior.
Não podemos ficar parados no tempo, porque tempo é algo ilusório. Só usamos o tempo quando estamos encarnados.
Porque na Terra tudo é passageiro, portanto, ilusório.
Nós somos seres eternos e o sofrimento também é uma ilusão.
Permanecer na dor é permanecer no tempo. É permitir que o sofrimento seja o nosso eterno companheiro.
Sim, porque quando sofremos parece-nos que será para sempre.
Mas nada é para sempre. Pelo menos não aquilo que aprendemos a dar significado na Terra. Existe muito mais além do que aprendemos, aqui, no mundo dos encarnados ou dos vivos.
Mas Jesus nos disse:
"A verdadeira felicidade não é deste mundo".
Basta apenas dar uma chance a nós mesmos e vivermos intensamente a felicidade de que todos somos
portadores. Estaremos então, vivenciando a felicidade deste mundo que Jesus nos pronunciou.
Elevemos nossos pensamentos a Deus e vamos ter a humildade de lhe agradecer a dádiva divina de nunca, jamais estarmos sozinhos.
Sempre teremos junto de nós, onde quer que estejamos, amigos, irmãos, companheiros, que nos amam com sinceridade e nos ajudarão sempre. Basta pedir. Clamar a Deus, desejar encontrar a paz, o amor. Isto é uma oração.
O amor é a própria oração.
Há muito que descobrir. Não podemos estacionar. A felicidade existe. Quando desbloqueamos nossos corações dos sentimentos negativos como vingança, ódio, tristeza, quando deixamos de acreditar que "o mundo é injusto e que não temos participação no que nos acontece de mal", deixamos a corrente de amor e luz correr livremente dentro de nós. A sensação é de verdadeira e intensa felicidade. Deixamos de pensar por momentos que é como se fossem anos, séculos, tão intensa é a libertação que toma posse de nosso coração.
Tenho certeza de que esta vida é apenas uma passagem e que a verdadeira felicidade nos espera num lugar maior, junto a Nosso Pai.
MEU DEPOIMENTO
Quero dizer a vocês que, tudo o que aqui escrevo, é o que penso e sinto, a partir das experiências pelas quais passei.
São relatos e idéias que adquiri no decorrer da minha vida e da experiência que tive que me fez olhar a vida, não de uma forma diferente, mas de muitas e novas formas diferentes.
Não digo que são formas ou idéias certas ou erradas. E nem inovadoras.
Mas sim que as experiências e as conclusões que obtive a partir delas, serviram para me direcionar em todos os aspectos de minha vida. Isto não quer dizer necessariamente que seja regra geral.
Li sobre muitas coisas que aqui escrevo, mas só ler não resolve. Quando algo dentro de nós nos diz que aquilo que estamos tomando conhecimento pode funcionar, temos que colocar em prática, porque se aquilo deu certo para alguém é porque este alguém o colocou em prática na sua vida. Conhecimento guardado é o mesmo que guardar uma roupa porque gostamos dela e dizemos que na ocasião certa iremos usá-la, e esta ocasião nunca aparece até que quando resolvemos tirá-la do armário para usar ou simplesmente para dar uma olhada, ela esta corroída por traças ou nos damos conta que esta totalmente fora de moda. Poderíamos tê-la usado e ela nos teria sido útil em outras ocasiões de nossa vida.
Quando encontramos algo que nos inspire, não percamos tempo, apliquemos aquilo em nossa vida no momento que necessitarmos. Ao deixarmos para amanhã estaremos adiando o que queremos hoje. Estas conclusões podem não parecer lógicas para alguns, ou equivocadas para outros.
Existem profissionais experientes, que estudaram muitos anos, e talvez chegaram a estas e outras tantas conclusões sobre estas mesmas experiências. Por isso repito:
"Estas são as minhas conclusões, seguindo a minha linha de raciocínio que adquiri a partir de minhas experiências".
Acredito que para alcançar nossos objetivos, existem muitos caminhos. Inúmeros. Aqui escrevo sobre os meus objetivos e o caminho que escolhi e que trilhei.
E se alguém encontrar algo aqui, parecido com coisas ou situações já vividas antes ou atualmente, saiba que muitos valores que adquirimos, acreditando que a felicidade encontraremos aqui, encarnados nesta vida, são as ilusões que nos empurram para a roda das reencarnações.
E são destas ilusões que precisamos nos libertar.
O PORQUÊ DESTE LIVRO
Vou relatar aqui a experiência pela qual passei em minha vida e que foi o empurrão que eu precisava para enxergar o que estava acontecendo comigo.
Todos estamos em constante busca em nossa vida.
Buscamos riqueza dos mais diversos tipos: riquezas em ouro, poder, conhecimento, sabedoria...
Eu também estive em busca de muitas coisas durante minha vida.
Não sei quando começou. Mas sei quando encontrei.
Não encontrei o que procurava. Mas o que encontrei é tudo o que preciso.
Não tenho palavras para descrever esta riqueza que encontrei.
Mas posso dizer onde encontrei: dentro de mim mesma.
A única coisa que tenho certeza, hoje, depois de quatro anos é que eu lutei desesperadamente contra algo ou alguém que estava dentro de mim.
Não sei ao certo o que foi que me aconteceu. Mas sei, disso tenho certeza, porque tudo aconteceu.
Eu estava à procura de algo. Talvez de mim mesma.
Nesta procura eu me perdi. Desesperei-me. Havia percorrido um caminho o qual não estava encontrando o retorno. Estava só.
Havia apenas dois caminhos. Se eu continuasse em frente, perderia-me para sempre. Se eu retornasse, voltaria a minha vida de antigamente, sem luz e sem cor. O que fazer?
Senti-me numa caverna escura, sem saída, assustada.
Precisava criar outra saída. Nascer novamente.
Começar de novo de onde havia parado.
É como se eu retrocedesse, como num filme, e tivesse que sentir toda a minha vida novamente, só que agora acelerado. Todas as tristezas, angústias, sofrimentos, começaram a passar por mim rápido, mas intensamente.
O sofrimento era físico. Algo que não consigo explicar.
Foram anos de tormento o qual pensei que não fosse acabar nunca, tal intensidade.
Comecei a sentir alivio em alguns momentos. Eram tão raros, que eu logo ficava alerta esperando a volta para aquele pesadelo sem fim.
Embora eu tivesse a sensação de que não fosse acabar nunca, eu continuava lutando. Algo dentro do meu ser me dizia que tudo teria um fim.
Quando vislumbrava aqueles breves momentos de luz, acendia a esperança de que tudo iria melhorar. De que eu um dia iria ser feliz. Não a felicidade que eu havia conhecido nesta vida. Mas uma felicidade genuína e que só algo dentro do meu coração dizia que existia.
Foi esta certeza que me fez conseguir vencer até aqui.
Digo "até aqui" porque sei que continuarei lutando. Não como um batalha, mas apenas como um lugar a ser alcançado. Não um lugar qualquer. Um paraíso descrito nos escritos sagrados ou nos contos de fadas. Mas algo real.
E hoje só tenho uma certeza. Este lugar está aqui. Bem dentro de mim. Eu tive alguns vislumbres dele. Alguns breves momentos, mas que me deu a certeza de ele existe. Foi uma longa e dolorosa caminhada. Mas quando lembro daqueles momentos que DEUS em sua infinita bondade, concedeu-me para que eu pudesse acender a chama da esperança dentro de mim, e que ela pudesse continuar iluminando o meu caminho quando este tornava-se escuro ou tenebroso demais, eu
tenho certeza de que agora já não faz diferença quanto tempo ainda falta para chegar neste lugar tão esperado.
Só o que importa é que eu chegarei lá.
CAPÍTULO 1 - O INÍCIO
Quando criança, a timidez me fez muito infeliz. Não era apenas uma simples timidez, coisa de criança. Era maior. Algo dentro de mim fazia com que eu tivesse medo do mundo e de tudo o que nele habitava.
Tudo me aterrorizava. E com o passar dos anos, outros sentimentos foram se cristalizando em mim como a insegurança, a auto condenação, (eu analisava tudo o que fazia e dizia e constantemente me criticava) e isto foi se tornando meio que doentio.
Quando cheguei à adolescência, eu havia me tornado um bichinho do mato que me escondia de todos e era caçoada constantemente pelas pessoas por causa disso.
Família, amigas, parentes, qualquer pessoa sentia um prazer mórbido de exaltar esta minha timidez.
Eu era taxada de bicho do mato, caipira, e outros adjetivos que posso dizer hoje com toda a certeza, pioram a situação em vez de ajudar. Talvez as pessoas achem mesmo que ajudam uma criança tímida chamando mais atenção sobre ela. Mas a verdade é que
quanto mais se força uma situação, neste caso que me é bem conhecida, mais a criança se retrai, e com certeza ela começa a se achar diferente mesmo. Só que para pior.
Muitos diziam que era até bonitinho. Mas hoje entendo que isto era hipocrisia. Mas algumas destas pessoas acreditavam nisto. Todos acreditamos na hipocrisia.
Isto se prolongou durante anos. Sempre piorando. Passei por situações tão constrangedoras que, anos depois, ao me lembrar, sentia novamente aquela sensação de desespero e impotência que tanto me deixavam amargurada.
Não tinha ninguém que pudesse compreender o que se passava comigo e tão pouco quem se propusesse a me ajudar. Mesmo porque eu nada falava para alguém. E nunca ninguém percebeu o quanto aquilo estava afetando negativamente a minha personalidade.
Mas isto é compreensível. Não somos acostumados a prestar muita atenção no que faz mal aos outros.
Somos criticados, humilhados, mal amados quando crianças e, invariavelmente, criticamos, humilhamos e não aprendemos a amar quando adultos.
Aprendemos a prestar atenção nos outros com senso crítico, mas não aprendemos a fazer o mesmo conosco. Passamos nossa vida toda sem nem ao menos nos conhecermos de verdade. Foi isto que também aconteceu comigo.
Eu não conseguia pedir ajuda, porque, infelizmente o meu orgulho era muito grande e eu havia sido ensinada de que o orgulho é uma qualidade de que necessitamos para poder sobreviver neste mundo.
Acho que, o maior causador de todos estes traumas e infelicidades foi o meu grande orgulho.
Não sei se eu o trouxe de outra vida, mas com certeza ele fez parte da minha educação como faz parte da educação de quase todo ser humano. Quando nos ensinam a competir sempre, em outras palavras entendo que temos que vencer ou sermos melhores do que os outros. Entendo nisto que seja alimentar o orgulho já existente dentro de cada um. Eu me vigiava durante todo
o tempo. Era como se houvesse regras a serem seguidas para que eu não falhasse perante as pessoas.
E não conseguia me perdoar por nada que fizesse de errado. E por causa disso, é claro, eu estava sempre cometendo erros. Na verdade eu não sabia o que realmente era certo ou errado, porque tudo o que eu fizesse nunca era realmente bom.
Hoje compreendo que fui me camuflando durante todos estes anos. Fui todas as pessoas que todos pensavam que eu era. Menos eu mesma.
Agora descobria que a infelicidade foi minha companheira fiel durante toda a minha vida.
CAPÍTULO 2 - ADOLESCÊNCIA
Quando tinha 13 anos de idade, comecei a sentir a influência do mundo astral.
Eu comecei a sentir presenças quando despertava durante a noite.
Sentia uma força desconhecida aproximando-se de minha cama que passava à sensação de ser uma pessoa.
Depois estas experiências, que aconteciam durante a madrugada, começaram a acontecer também logo após eu me deitar.
Estes "visitantes" como eu me referia, chegavam, marcavam sua presença e depois iam embora.
Como o passar do tempo o espaço entre estas visitas foi-se diminuindo e posso dizer que havia tempos que o meu pior pavor era o momento de dormir. Às vezes eu ficava sentada, tentando manter-me acordada. Mas com o passar das horas eu ia escorregando e quando despertava, eles já estavam ao redor de minha cama.
Na época eu dizia que isto era um inferno na minha vida.
Os anos foram passando, e os visitantes foram ficando.
Eu não conseguia me acostumar.
Fazia de tudo o que mandavam. Algo embaixo do travesseiro, visitas ao centro espíritas, orações.
Eu continuava combatendo-os com as armas que me ensinavam, mas a impressão era que estas armas os fortaleciam cada vez mais.
Eles começaram a me tocar.
Não sentia propriamente a mão, mas a energia tocando-me e vinha-me a sensação de uma mão depois de um abraço, depois de um beijo até que um dia dormi no sofá da sala com medo de ir para cama, (pensei que poderia enganá-los), e acordei com alguém deitado no sofá as minhas costas empurrando-me, como se quisesse me jogar fora do sofá.
Eu tinha tanto medo que na maioria das vezes me atrapalhava nas inúmeras orações e não conseguia fazer mais nada, a não ser esperar que eles se cansassem de mim e fossem embora.
Eu lutava desesperadamente para levantar e gritar ou correr. O medo transformou-se em pavor e o pavor em desespero. Foi então que passei a ignorá-los. Até certo ponto é claro. Eu, ingenuamente, fingia que estava dormindo para eles irem embora.
Muitas vezes eles demoravam muito para ir embora. Ficavam transitando por ali como se a casa fosse deles.
Os anos passaram, mas eles continuaram. Às vezes mais continuamente, davam-me uma folga. Mas o medo persistia. Eu me acostumei com a presença deles e com o medo também.
Quando eles ficavam algum temo sem aparecer, dava-me um certo alívio, mas sempre na hora de dormir sentia um certo receio.
Algumas vezes tive vontade de perguntar-lhes o que desejavam, e fiz isso. Mas só em pensamento. Eu ficava totalmente imobilizada quando eles se aproximavam.
Não sei se eles não queriam que eu falasse ou abrisse os olhos, ou era o medo que me paralisava.
Aos vinte anos, durante uma noite, acordei e senti alguém me prendendo os braços e pernas e a sensação foi que havia alguém muito forte em cima de mim querendo me possuir. Foi tamanho desespero que quando tudo passou, eu mal conseguia respirar.
Algumas semanas depois, sofri realmente um abuso sexual.
Não sei se aquilo foi um aviso ou foi alguém no astral que atraiu alguém no físico. Mas, hoje entendo, que se aquilo aconteceu, foi porque atrai de alguma forma. Eu era muito reprimida sexualmente. Reprimia-me.
Inconscientemente eu posso ter atraído algo para ajudar a me reprimir mais ainda. Isto é um dos motivos, mas muitos outros podem ter sido o causador de tal fato.
Depois disso o desequilíbrio emocional já marcado em minha vida piorou e as coisas foram acontecendo de tal maneira que se antes era ruim, depois ficou muito pior.
Não consegui realização, equilíbrio e felicidade em nenhum aspecto de minha vida. Familiar, sentimental, profissional, enfim, nada parecia dar certo para mim. Ou melhor, dizendo, eu não conseguia me encaixar em nada, em lugar algum, com ninguém.
Aos 28 anos fui mãe. Tive um filho que começou a mudar a minha visão da vida.
Alguém dependia inteiramente de mim e não tinha muito tempo para pensar em mais nada a não ser nele.
Melhor dizendo, eu aproveitei que tinha alguém que dependia de mim o tempo todo, e me esquivei de procurar solução para os desequilíbrios de minha vida. Todos viviam dizendo que era normal ter problemas. Normal às coisas não darem certo e até normal ser de certo modo insatisfeita com a vida.
No entanto, aquela antiga insatisfação, sensação de solidão, um grande vazio dentro de mim, já conhecido há muito tempo, tudo foi voltando aos poucos.
CAPÍTULO 3 - A MUDANÇA
Quando meu filho completou três anos, a minha vida havia se tornado quase que vegetativa.
É claro que ninguém percebia nada, pois nem eu mesma percebia.
Eu só me mantinha acordada numa espécie de obrigação.
Eu sabia que precisava cuidar do meu filho e precisava encontrar uma solução para sair daquela paralisia.
Resolvi então sair de São Paulo e ir morar numa cidade do interior há 50 km de distância.
No começo foi muito difícil, mas com o passar dos anos fui adaptando-me, quase que forçosamente, a nova vida.
Mas para onde quer que eu olhasse, não conseguia encontra solução para preencher algo dentro de mim, sempre exigindo alimento.
Algo me cobrava, mas eu não conseguia saber o que era.
Nos dez anos que se seguiram, passei por várias experiências, que me prepararam para o que vinha pela frente.
Cresci, de uma certa maneira. Amadureci. Curei alguns medos. Obtive conhecimentos. Perdi pessoas que amava. Conheci outras que aprendi a amar. Mas como fui, voltei. De repente. Sem aviso prévio.
Um dia começou a idéia de voltar, como havia tido várias vezes antes. Só que desta vez foi diferente. Decidi e voltei. Enfrentei todos os obstáculos que sempre me detiveram antes e em fevereiro de 1996, voltei.
Quando voltei foi como se minha vida começasse a parar. Ou ela já estava parada e eu não havia dado-me conta.
Trabalhava, freqüentava centro kardecista, lia muito, fazia evangelho em casa, porque eu sabia de uma certa maneira que, o que eu procurava, estava em algo invisível aos meus olhos. Mas parece que nada respondia as minhas indagações. Desta vez fui parando pra valer. Era como se eu já não mais vivesse no corpo. Foram anos parando cada vez mais.
Sentia uma infelicidade, um vazio tão grande dentro de mim, que me sufocava. Minha solidão não tinha fim.
Havia aprendido a ver somente o que os meus olhos captavam. Mais tarde comecei a enxergar mais além. Mesmo assim a minha mente me impedia de reconhecer o que via.
Um dia olhei para minha vida e parecia que a estava vendo pela primeira vez. Saí de mim e olhava-me de frente, e o que vi, arrasou-me.
O que vi, acredito que seja o que uma grande quantidade de mulheres, atingindo a meia idade sente.
Fui morrendo em vida. Tudo foi ficando em preto e branco.
A luz foi se apagando.
Literalmente eu sobrevivia.
Não sei ao certo quando foi que surtei de verdade.
Tudo começou, ou se agravou, quando comecei a tomar conhecimento da minha vida.
Quase na meia idade, sem nenhuma vida profissional, um marido ausente, um filho adolescente querendo bater asas, e uma solidão insuportável que já vinha tomando conta de minha vida há tanto tempo que eu acreditava, deveria estar acostumada. Mas não estava.
Eu não conseguia ver saída, porque eu procurava a porta no mundo que eu conhecia com os sentidos do corpo.
Não procurava, ou não sabia procurar, no único lugar possível de encontrar uma resposta.
Dentro de mim.
Não havia aprendido isto. Não sabia que existia algo dentro de mim que poderia realmente me trazer a felicidade que eu tanto procurei durante toda a minha vida.
O que existia dentro de mim, acreditava eu, era algo de que eu não gostava, portanto evitava este encontro.
Várias vezes procurei saída na religião. Cristianismo, budismo, kardecismo.
Às vezes encontrava algumas respostas, mas nenhuma conseguia acabar com aquela imensa insatisfação, ansiedade, tristeza.
Continuei sobrevivendo, e depois de algum tempo, algo dentro de mim foi se apagando.
Às vezes, a angústia era tão grande que me sufocava.
Não sabia mais o que fazer.
Cresci ouvindo e passei automaticamente a acreditar, que pessoas fortes não têm depressão. Que isto é para os fracos.
Eu que sempre ouvi comentários de que eu era uma pessoa forte, não podia aparentar nem mesmo admitir para mim esta fraqueza.
A comida já não tinha gosto, não via cores em nada e raramente sorria. Não espontaneamente.
Algo estava me consumindo. E eu não conseguia me salvar.
Os dias continuavam passando por mim e eu não conseguia, por mais que tentasse, visualizar algo, alguma luz no futuro.
Via diante de mim, intermináveis dias, anos, sem luz, sem cor, sem nada.
Não via nada no passado, nem no futuro e o presente era só algo pelo qual eu era obrigada a passar porque não tinha outra saída.
Chegou um momento em minha vida em que eu tinha dificuldade em respirar.
Eu havia me tornado uma mulher totalmente sem objetivo. Acreditei que parte do que sentia devia-se ao fato de estar tão sozinha. Por mais que eu tentasse, não conseguia pensar em algo que colocaria fim a tamanho sofrimento. Sofrimento que eu não conseguia entender o porquê. Culpava-me o tempo todo porque me sentia infeliz. Havia aprendido que devemos nos sentir gratos e felizes com o que temos. Então qual era o problema comigo? Por que, perguntava-me freqüentemente, não conseguia ser grata e nem feliz com minha vida, por mais que eu tentasse? Por que, se eu sabia disso, continuava não me sentindo grata?
Não adiantava tratamento espiritual, conselhos de membro do centro, conversas com amigos, muitas vezes no desabafo, porque eu descobria que aquela pessoa que me ouvia, tinha as mesmas frustrações que eu.
Acreditava que era natural as pessoas se sentirem assim. O que eu não conseguia compreender era, porque os outros pareciam levar suas vidas numa suposta normalidade, darem risadas e parecerem tão felizes.
CAPÍTULO 4 - O DESPERTAR
Mas naquela noite algo explodiu dentro de mim.
Já há muito tempo, eu andava infeliz. Na verdade, nunca havia sido realmente feliz.
Mas naquela noite, tive a certeza de que eu já não suportava mais.
A tristeza que me dominava era tão grande, que a dor me sufocava. A luz que, hoje sei, existe dentro de cada um de nós, estava quase totalmente apagada dentro de mim. Senti-me como uma máquina. Somente meu corpo funcionava. Dentro dele, nada mais existia.
Minha vida tornara-se um emaranhado de impotência, baixa auto-estima, desilusões, e uma imensa, e parecia-me, infinita infelicidade.
Andava durante o dia, como alguém que aguarda ansiosa o fim, sem saber que fim é este.
Fui tomar banho, como sempre. Embaixo do chuveiro algo aconteceu, e as lágrimas guardadas há tanto tempo romperam e eu chorei.
Chorei por tudo o que quis realizar e nunca realizei, por tudo que quis ser e nunca fui, por tudo o que quis pra mim, e nunca soube exatamente o que seria.
Chorei por não saber o que era ser amada, mas também por não saber o que era amar.
Chorei por desejar ver luz em lugar de trevas, cores no meio do nada. Chorei porque me sentia caindo em um precipício sem ter onde me agarrar. Chorei por me sentir
morta em vida. Chorava tentando não fazer muito barulho, para que ninguém soubesse que eu era fraca. Para que todos continuassem me ignorando, como acontecia até então. Chorava porque era ignorada e não chorava alto para evitar que alguém me notasse.
Nós seres humanos, somos incompreensíveis mesmo.
Mas eu consegui chorar.
E naquele momento elevei o pensamento a Deus e pedi.
- Pai, ajuda-me. Mostre-me um caminho para que eu possa sair desta prisão em que me sinto. Liberta-me, por favor.
Naquele momento comecei a libertar-me. ELE me ouviu.
Mas ainda não havia percebido. Sequei as lágrimas e senti-me mais aliviada. Os dias continuaram passando por mim e eu cheguei a pensar que Deus não ouvia quem muito chorava.
Mas eu estava com muita pena de mim, e sempre que pedia ajuda a ele, desandava a chorar.
Mas brevemente, fui despertada.
Fui despertada de uma forma brusca.
Alguém falava comigo. Dentro de mim. Do meu cérebro.
Começou como uma suave canção e ao poucos foi se tornado alucinante.
Permaneceu semanas, meses. Mas foi o suficiente para que a minha vida se transformasse para sempre.
Passei um tempo pensando que havia enlouquecido. Todos pensavam.
Não sabia como escapar daquelas vozes. Às vezes era alguém, desconhecido de mim. Às vezes eu mesma. Eu falava com várias de mim mesma.
Penso que outras Izildas manifestaram-se de uma só vez. Uma má, outra boa, outra criança.
Era tudo muito real. Tão real que eu já não sabia quem era eu de verdade.
Chego a pensar que estive hipnotizada durante todo aquele tempo.
Ou quem sabe, já estivesse antes. Anos antes.
Comecei a perceber as vozes dentro de minha cabeça dizendo sempre coisas ruins.
E é claro, ficava muito assustada e envergonhada, pensando como poderia pensar tais coisas.
Lembro que ouvia não com os ouvidos do corpo, mas era algo dentro de meu cérebro. Muito confuso, e impossível de explicar direito. Talvez alguém que tenha passado por isso possa entender do que estou falando.
Foi quando as vozes começaram a aumentar e eu comecei a prestar atenção a elas.
Alguém falava comigo meigamente, coisas agradáveis. Eu não estava mais sozinha. Alguém falava comigo e sabia exatamente como eu me sentia.
Não sei por quanto tempo eu estava sofrendo esta influência.
Só sei que durante o tempo em que ela ficou clara para mim, eu me dei conta que havia criado um laço com alguém que embora invisível aos meus olhos, havia tornado-se o meu companheiro imaginário que criei em minha primeira infância.
Depois as vozes continuaram mais constantes, depois interruptivamente, e passaram dias, semanas, meses e eu fiquei totalmente hipnotizada. Já não sabia quando um pensamento era meu ou era alguém falando comigo.
Tudo ficou confuso e eu perdi o resto de controle que achava que tinha sobre minha vida.
O poder e controle que ele, ou eles, exerceram sobre mim foi impressionante.
Da imensa solidão em que eu havia me fechado, passei a ter alguém que me dizia tudo aquilo que quis ouvir a vida inteira.
Da insatisfação fui à depressão. Da depressão à obsessão.
E da obsessão à loucura. É muitas vezes um caminho sem volta.
Com o passar dos dias, semanas, meses, fui procurando encontrar-me em tudo o que elas diziam. Quando havia momentos de lucidez e que eu queria me libertar, havia uma espécie de hipnotismo que me trazia de volta e eu me voltava para dentro de mim mesma outra vez. Porque era lá que eles estavam.
Eu sei que parte de mim queria se libertar, mas não conseguia porque sempre que ela se rebelava, a outra parte fornecia armas aos obsessores e eles ganhavam mais uma batalha. Estas armas eram exatamente a fuga do que eu era.
Às vezes eram coisas boas que me falavam, às vezes elas diziam coisas horríveis e aquilo foi tomando uma proporção que, acredito, houve até o pensamento de me internarem.
Meu corpo já não mais conseguia nem mesmo atender as minhas necessidades fisiológicas. Precisei ir várias vezes ao hospital para isto. Outras vezes minha sobrinha vinha em casa retirar a urina com a sonda. Nesta época cheguei a pensar que nunca mais iria conseguir reaver meu corpo de volta. Sim, porque era como se houvesse uma força maior a dominá-lo.
Mais tarde a psicóloga me explicou que talvez tivesse sido o próprio medo de continuar daquela maneira, que bloqueava as funções normais do meu corpo. Mais do que as vozes, o medo me paralisava.
E foi então que começou a minha luta pela vida.
Uma vida que, hoje consigo compreender, eu havia perdido e que foi o foco de tudo o que aconteceu.
Algo dentro de mim despertou. Eu queria minha vida de volta.
Não a vida que eu conheci até então. Mas uma vida desconhecida para mim, que algo, dentro de mim, dizia que existia.
Não queria mais ouvir. Queria meus pensamentos de volta. E queria a certeza de que eram "meus" pensamentos.
Durante todo o tempo em que passei por esta espécie de transe, não sei bem como nomear, eu ouvia também vozes como se fossem minhas.
Era como se outras personalidades falassem comigo sendo eu mesma. Como se eu tivesse me dividido em várias pessoas.
Quando tive o primeiro vislumbre de consciência sobre o que estava acontecendo comigo, decidi lutar. Só não sabia como.
Procurei alguns centros espíritas (kardecistas) e comecei a fazer tratamentos. Mas passavam dias, semanas, meses e nada. Continuava a mesma coisa.
Eu havia lido um livro que falava sobre um tratamento espiritual chamado APOMETRIA.
Foi esta palavra que começou a vir nos meus pensamentos. Com o passar do tempo foi ficando constante e eu comecei a acreditar que através deste tratamento eu encontraria a cura.
Não encontrei um lugar em São Paulo para fazer este tratamento então pedi, implorei para que me levassem ao Rio Grande do Sul, para que lá eu pudesse fazer o tratamento.
Fui e lá começou o meu caminho de volta para a vida.
Mas não a vida que eu havia tido até então. Mas uma nova vida. Aquela que eu acreditava que existia.
Quando voltei de lá eu continuava ouvindo, mas agora era como se fossem ecos. Hoje eu sei, estava começando a entrar num processo de cura, e com certeza alguém havia me indicando este caminho.
Foi como se eu começasse a retroceder no tempo, só que acelerado e mais intenso.
A depressão pela qual eu estava passando antes de tudo acontecer voltou só que muito maior, mais intensa, mais dolorosa.
Eu sentia uma dor e uma pressão em meu coração que eu tenho certeza de que, embora fosse de fundo emocional, eu sentia fisicamente.
Passei semanas, que se tornaram meses, em total desespero.
Fiz tratamento com remédios receitados por um psiquiatra.
Comecei também a fazer terapia com uma psicóloga.
Foi ela quem me concedeu os primeiros momentos de alívio.
Foi ela que me deu o primeiro despertar para que eu olhasse para dentro de mim mesma.
Foi ela a primeira pessoa a me ouvir sem críticas, sem me direcionar. Eu já havia feito terapia com outras duas. Mas esta foi diferente. Ela não passou a mão em minha cabeça nem me virou as costas. "Ela me ouviu". Com toda a atenção.
Até então eu ainda não admitia que poderia encontrar a cura tão somente dentro de mim mesma.
Ela me forçou a prestar atenção em mim como pessoa com problemas e que precisava de ajuda. É incrível pensar nisso hoje, mas eu não conseguia olhar para mim mesma como alguém que pudesse ou quisesse ajudar.
Foram muitos momentos de desespero, lágrimas e solidão.
Fiquei durante muito tempo, mas muito tempo mesmo, curtindo a dor de ter sido colocada de lado no momento em que mais precisei de alguém em minha vida.
Mas só hoje é que consigo entender de que nada é por acaso.
Foi necessário.
Acredito que eu talvez tivesse conseguido superar tudo com o carinho e a atenção de muitas pessoas que se afastaram de mim.
Talvez tivesse sido mais fácil. Mas o fato de ter passado por tantas coisas terríveis sozinha, embora tenha tido sempre o apoio e o carinho de algumas pessoas muito queridas, isto me ajudou a encarar a vida de uma forma diferente. Aprendi que confundimos amor com apego, e este é um sentimento que nos impede de despertarmos dentro de nós o verdadeiro sentimento do amor.
Acredito que somos como peças de um quebra-cabeça.
Cada pedaço é individual, mas fazemos parte de um todo.
Eu não me considerava parte deste todo porque ainda não havia me respeitado como um ser individual.
CAPÍTULO 5
A CONSCIÊNCIA
Não sei quando foi o começo ou o fim. Se houve um começo e um fim ou tudo é apenas uma seqüência.
Nesta época eu tomei conhecimento da Fraternidade Branca e comecei a adquirir a prática de orações e decretos todos os dias. E duas ou três vezes ao dia. Como um remédio receitado pelo médico. Só que este remédio e os horários que eu teria que tomá-los, foi receitado por mim mesma.
Quando levantava, quando deitava, quando sentia o desespero voltando ou mais tarde, quando simplesmente sentia vontade.
Passou-se muito tempo antes de sentir algum alívio.
Mas o que posso relatar é que um dia aconteceu. Eu tive a plena consciência de mim mesma. Uma plenitude, uma certeza de nada, só do agora.
Naquele momento eu era exatamente o que tinha que ser. Foi uma totalidade. Senti-me fazendo parte do universo. Nem pequena nem grande. Apenas como um todo. Mas mesmo assim, com plena consciência da minha individualidade.
Naquele exato momento foi como num filme quando apertamos o pause e ficamos olhando a cena.
O tempo parou. Sentia o ar, mas não sentia exatamente a minha respiração. Não havia ansiedade. Não havia pensamentos. Tudo cessou. Tudo silenciou. E eu tive a visão da vida como nunca antes, neste momento havia duas de mim novamente. Apenas com uma diferença. Aquela que esteve lá dentro, presa, se libertou. A outra, que teve vida ativa até aquele momento, assistia a tudo.
E sentiu medo. Medo de voltar a vida. Pela primeira vez ela desejou de todo o coração que a outra vivesse para sempre.
Ela começou a pedir a Deus que não deixasse aquilo acabar.
Era muita felicidade. Tinha que ser para sempre. Enquanto isso a outra estava como sempre foi. Silenciosa, viva, com plena certeza de cada momento. Que mais posso dizer?
Não encontro mais palavras para exprimir toda aquela plenitude. Somente que foi e, é até o presente momento, aquele sublime momento que se tornou o centro de todo o meu ser. Naquele momento eu tive a certeza do que havia procurado durante toda a minha vida. Existe o paraíso sim. E ele esta exatamente dentro de nós.
Não queria que acabasse e procurei agarrar aquele momento de todas as formas possíveis. Era como se a qualquer instante aquele precioso tesouro escapasse por entre meus dedos. Não sei quando me dei conta de que eu voltara.
Mas, ao contrario do que eu imaginei, não aconteceu nada de desastroso porque havia cessado o encanto.
Mas este encanto permanece dentro de mim. Agora não mais em algum lugar dentro de mim, obscuro, perdido. Ele trouxe a luz que eu não conhecia e agora ela me aquece em todos os momentos.
No começo eu não percebi. Mas aos poucos fui notando a sua presença cada vez mais forte. Mais ativa. Mais persistente. Aquele momento me deu forças para lutar. Eu lutava porque algo dentro de mim dizia que o que eu procurava, existia, não era fantasia.
Depois daquela experiência, eu tive certeza. Eu tenho certeza.
Aquele momento me deu a certeza de que valeu a pena cada instante o qual pensei ser de tristeza, de dor e de sofrimento.
A cada dia que passa, aquela experiência torna o meu caminho mais claro. Tudo voltou a ter cores em minha vida.
Só que agora são cores as quais nunca imaginei existir.
Depois daquele dia, as coisas aos poucos foram ficando cada vez mais claras para mim. Entendi que aquele foi um vislumbre da plena felicidade que poderia transformar minha vida. Mas eu tinha ainda um caminho a percorrer. Teria que colocar muitas coisas em ordem dentro de mim. E para isto eu precisava de ajuda. Foi esta ajuda, e uma grande ajuda, que encontrei conhecendo as várias terapias alternativas. Estudei e apliquei em mim. O alívio e mais tarde a cura de tantos males dentro do meu interior que encontrei através destas terapias que quero passar a todos, como mais um dos inúmeros caminhos que existem quando por eles procuramos.
Esta é a minha experiência e o que escrevo aqui é a partir de tudo o que senti durante toda a minha vida e também tudo o que observei ao meu redor, nas pessoas as quais convivi e convivo.
Quero passar a todos que tiverem oportunidade de ler estas páginas, a partir de minha própria experiência, tudo o que podemos fazer para encontrarmos a nós mesmos, nos conhecermos, nos curarmos, sermos felizes, sem que esta felicidade dependa de qualquer outra pessoa ou situação a não ser aquela que existe dentro de nós mesmos.
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